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Durante o período mais repressivo da Ditadura Militar no Brasil (1964-1985), a jovem de classe média Abigail tinha pouco do que reclamar. Em um país miserável, ela tinha um emprego fixo, boas condições de vida, curso superior completo, perfeita saúde física e não dependia de ninguém. No entanto, ela se sentia atada por cordas invisíveis.
Sua liberdade de escolha se limitava aos ditames da sociedade. Existe um grau de tolerância de um país conservador, autoritário e religioso para com a liberdade de uma mulher. Em um certo momento, Abigail decide arriscar e agir como bem entendesse, o que a coloca em situações de desconforto e constrangimento e a leva a criar meios para superar esses novos problemas. Ela decide pagar o preço da liberdade.
Esse é o enredo do conto erótico Deleite: no fio da lâmina, HQ narrada e desenhada pela quadrinista paraibana Paloma Diniz. O projeto está com uma campanha de arrecadação no Catarse e tem previsão de lançamento para 2020. A história se passa ao longo de uma semana na vida de Abigail. A autora afirma que optou por expor toda a intimidade da personagem, incluindo os momentos mais picantes, de forma explícita e realista.
imagem: divulgação
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Segundo a autora, os desenhos e a arte final já foram finalizados. Falta apenas concluir a etapa de tratamento digital, com aplicação de retículas, letreiros e balões. A história será publicada tanto em suporte impresso quanto digital e os apoiadores receberão recompensas de acordo com a contribuição; os valores disponíveis elegíveis para recompensas variam de R$ 10 a R$ 55 ou mais.
imagem: divulgação

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A versão impressa da HQ terá 80 páginas, incluindo capa e miolo, com tamanho final de 27,5 x 20,5 x 0,5 cm, capa cartonada tipo cartão tríplex 250 gramas e páginas internas em preto e branco sobre papel offset 75 gramas. Segundo a autora, todas as páginas da HQ impressa terão tratamento de limpeza digital e aplicação de retículas. "Eu quero um resultado visual semelhante as HQs da década de 1970/1980; quadrinhos estes que me influenciaram bastante como desenhista", afirma.

Sobre a autora

Paloma Diniz nasceu no município de Patos (PB) e atualmente vive em João Pessoa (PB). É formada em Artes Visuais pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e especialista em desenho artístico com diversas técnicas sobre papel, incluindo carvão vegetal, grafite, lápis de cor e nanquim.
Já atuou no mercado de móveis planejados, modelagem virtual, como professora de artes e como arte-finalista de HQs voltadas para o mercado internacional, agenciada pela Space Goat Productions LLC. Hoje, se dedica ao estudo de desenho clássico e produz quadrinhos e fanzines de forma independente, além de ilustrar livros, capas de revistas, estampas de camisetas, dentre outras atividades relacionadas.

O jornal Rascunho, maior publicação literária independente do Brasil ainda em circulação, está realizando uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Catarse para expandir as atividades e ampliar o número de páginas. A campanha é de natureza flexível -- ou seja, mesmo se o valor arrecadado for inferior à meta, será repassado ao Rascunho -- e visa arrecadar R$ 80 mil até o dia 9 de outubro.
Veja aqui como contribuir.
"Entre outras demandas importantes, precisamos reestruturar a área comercial, investir em um novo site, melhorar nossas plataformas digitais e, o mais importante, ampliar o número de páginas", informa a campanha. O foco é viabilizar o retorno ao formato de 48 páginas.

Atualmente, o jornal conta com 32 páginas em formato beliner e uma tiragem média mensal de 5 mil exemplares. Uma parte é entregue aos cerca de 2 mil assinantes, enquanto outra parte é distribuída gratuitamente em espaços culturais, como a Livraria Arte & Letra, em Curitiba, e a Biblioteca Pública do Paraná. O Rascunho não trabalha com vendas avulsas ou em bancas.

"Há três anos tivemos um tímido aumento do número de assinantes e que se mantém estável", informou um porta-voz do Rascunho ao Livreiro Nômade. "No entanto, decidimos não reajustar os valores de assinaturas".

As recompensas beneficiam tanto os contribuintes ocasionais, que desejam apoiar o projeto sem compromisso, quanto aqueles que querem assinar ou renovar a assinatura antes do reajuste. A menor faixa de valor é de R$ 20 e dá direito a um exemplar avulso, marcadores de páginas e agradecimento nominal na versão impressa. A partir de R$ 45, o apoiador tem direito a uma assinatura semestral (seis exemplares).

O valor oficial das assinaturas pelo site é de R$ 90 (anual) e R$ 50 (semestral), pagos em única parcela.

A campanha também se estende a potenciais anunciantes, que podem conseguir veicular anúncios publicitários por meio do apoio no Catarse. Para essa categoria de apoiadores, os valores vão de R$ 2 mil a R$ 20 mil ou mais.

A entrega das recompensas está prevista para ter início no mês de novembro.

História

O Jornal Rascunho foi criado em 2000 e se mantém como o principal jornal literário independente do Brasil -- mesmo em um período em que os maiores suplementos culturais estão saindo de circulação ou migrando para a internet. Sediado em Curitiba, o Rascunho tem assinantes em todo o Brasil e circula via Correios, além do próprio website. O jornal conta com aproximadamente 40 colaboradores -- escritores, jornalistas, professores, literatos e ilustradores.

O que você pensaria de Jane Austen se soubesse que ela era adepta do patriarcalismo britânico em sua época? E que, na verdade, a maioria dos grandes escritores não era nada revolucionária, mas conservadora? É o que argumenta a autora Elizabeth Kantor, do The Politically Incorrect Guide to English and American Literature. A tradução para o português da obra está em fase de financiamento coletivo pelo Kickante.

A editora responsável pela campanha é a Simonsen, que por enquanto tem dois títulos no catálogo e um terceiro em produção. A tradução do Guia politicamente incorreto da Literatura já estaria concluída; os R$ 16 mil necessários para realizar o projeto têm como objetivo o pagamento do adiantamento em direitos autorais, confecção, impressão e envio dos exemplares.

Apesar de a obra original ser destinada aos estudantes da área de Letras norte-americanos, o editor responsável, Rodrigo Simonsen, espera encontrar um bom nicho de leitores no Brasil.

"Muitos dos professores que ensinam literatura na faculdade perderam o contato com a realidade e com sua própria matéria. Entre num curso de Letras em uma universidade qualquer e as chances de que você estude teoria marxista ou a história do balé são realmente grandes. Você poderá presenciar uma investigação sobre a pornografia através dos tempos ou, ainda, passar o semestre todo assistindo a filmes estrangeiros. O fato é que o que provavelmente não acontecerá é o ensino da apreciação e do entendimento da grande literatura", informa o texto de divulgação da obra.

A ideia é recuperar a influência literária europeia e escantear disciplinas que atualmente fazem parte da grade curricular, como estudos de gênero, cultura popular e psicanálise. Assim como os livros congêneres assinados por Leandro Narloch no Brasil, o Guia politicamente incorreto da Literatura é declaradamente conservador e polemista. "O Guia também ensinará o caminho das pedras através do campo minado que é a 'teoria literária', que pode fazer com que você se perca não apenas no que compete à grande literatura, mas a todos os bons frutos da civilização ocidental", alega.

A editora Simonsen conseguiu recentemente um bem sucedido financiamento na plataforma Kickante. A tradução do livro Tire os olhos da bola, que trata das regras do futebol americano, conseguiu arrecadar R$ 33,9 mil, quase o dobro da meta estabelecida. No entanto tem apenas poucos dias para arrecadar os R$ 13 mil necessários para concretizar o projeto atual.

A campanha encabeçada pela fotógrafa Leila Lisboa para publicar um livro com fotos da fase mais criativa da banda Mutantes sofreu algumas mudanças. A meta, que era de R$ 100 mil, foi reduzida para R$ 70 mil, e o prazo foi ampliado para mais 36 dias de arrecadação -- o prazo anterior encerraria no início de março.

A divulgação intensa nas redes sociais e na mídia rendeu até agora pouco mais de R$ 41 mil. O tipo de campanha também foi alterado, o que permitirá a impressão do livro mesmo se a meta não for atingida. De "tudo ou nada", modalidade onde o dinheiro é devolvido em caso de fracasso, a campanha mudou para "flexível", onde o dinheiro é entregue mesmo que o valor tenha permanecido abaixo da meta.

"Todos [os] que já compraram e que vierem a comprar o livro por meio da campanha terão o livro em mãos; o livro sairá de qualquer forma", afirma Leila. Nesse caso, a campanha funciona como uma pré-venda. O prazo estimado para a entrega é para o dia 1 de julho.

Porém com a redução do valor pretendido, o livro não deve ser impresso em quantidade suficiente para distribuição em livrarias. A garantia é entregar apenas a quem contribuiu com a campanha.

O livro

A hora e a vez reúne registros fotográficos do grupo de rock psicodélico brasileiro Os Mutantes da fase considerada mais criativa -- de 1969 a 1974. Na época, Leila era namorada do baixista Liminha e acompanhava a banda. A fotógrafa relata que viveu momentos inesquecíveis com o conjunto e resolveu registrar tudo.

"A época que convivi com eles foi muito leve, divertida, inspiradora e cheia de boas lembranças. Eles eram hilários juntos", conta. O nome do livro é inspirado na música A Hora e a Vez do Cabelo Crescer, "referente a uma música muito marcante para mim", diz Leila.


Segundo ela, não houve apoio nem por parte da iniciativa privada nem do poder público para a publicação do livro, um verdadeiro memorial de parte da história do rock nacional. O projeto está na gaveta há dez anos.

"Não consegui nenhum apoio de projetos culturais do governo federal – nem chegar perto da Lei Rouanet –, estadual e municipal. As editoras não se interessaram, apoio cultural de empresas também nada, empresários menos ainda... zero. Eu banquei tudo que pude para poder ter as fotos limpas e digitalizadas, e não foi pouco", relata. "Se eu pagasse uma fortuna poderia lançar com qualquer editora", critica.
Quando ainda era estudante de jornalismo pela Universidade Federal do Ceará (UFC), Aline Moura estagiava no caderno de Cotidiano do jornal O Povo, de Fortaleza (CE). Certa vez foi escalada para cobrir o concurso Miss Penitenciária, realizado no Instituto Penal Feminino Desembargadora Auri Moura Costa. “Aquele foi meu primeiro contato com o cárcere. Vi-me angustiada por ter que resumir aquelas histórias tão complexas e impactantes em uma notícia de jornal”, lembra.


Em vez de correr para fechar a matéria e descartar as histórias, guardou tudo. Mais tarde, junto com a colega e co-autora Bárbara Almeida, fez um livro-reportagem como trabalho de conclusão de curso narrando a vida de quatro das presidiárias com quem teve contato. O trabalho foi defendido em 2013, “diante de certa relutância de pessoas da academia”. “Recordava-me de muitas histórias que simplesmente não puderam ser aproveitadas. Minha ideia sempre foi construir perfis das internas a partir de como elas enxergavam a própria história”, diz Aline.

Agora, um ano e meio depois de concluído, o material deve ser finalmente publicado. Uma campanha de financiamento coletivo no Catarse já arrecadou mais da metade do valor necessário para a impressão de 500 exemplares. O curioso é que o livro, mesmo tendo conquistado cinco prêmios em níveis regional e nacional, não pôde ir ao prelo até hoje por conta da velha chata que atende pelo nome de burocracia.



“Estamos lutando pelo publicação há um ano e meio. Houve diálogo com representantes de vários segmentos, inclusive do governo estadual. Recebemos convites, mas nenhuma dessas propostas chegaram a se concretizar nesse espaço de tempo”, conta a jornalista. “Vencemos o edital de publicação de livro-reportagem pela UFC, mas ao final de 2014, fomos informadas de que houve atrasos na Impressa Universitária e que a publicação foi adiada para 2015”, prossegue. Aline e Bárbara não quiseram esperar para ver.

Além do trabalho das jornalistas, o livro conta com o projeto gráfico e diagramação do designer Ed Borges e fotografias de Daniel Muskito.

Quando a arrecadação — o mínimo esperado é R$ 4 mil — for concluída, todos os processos editoriais, de impressão e distribuição serão feitos pela equipe. Uma parte da tiragem inicial de 500 livros será destinada aos colaboradores, e os demais exemplares serão comercializados de forma independente. A campanha será encerrada no dia 26 de janeiro. Assista abaixo ao booktrailer.



imagem: capa/divulgação

Narrativa

Na descrição do projeto, um ponto que chama a atenção é a maneira como a história é contada: “Auri”, a própria prisão, assume uma identidade e narra, enquanto testemunha, a história de quatro detentas. Aline conta que a principal referência para esse formato narrativo é o romance clássico A Casa, da escritora cearense Natércia Campos, onde a construção acompanha e relata a vida de várias gerações de uma família do interior.

“A produção do livro seguiu todos os critérios jornalísticos de apuração”, afirma. “Entrevistamos diretoras, agentes e demais funcionários, como professores e médicos, além de estudar os processos criminais de cada uma das personagens. A partir de perfis pré-selecionados, buscamos indicações de personagens que se encaixassem nestes perfis” detalha Aline.

Inicialmente a ideia era escrever os perfis da maneira tradicional, ou seja, em terceira pessoa. Foi quando a colega Bárbara Almeida propôs uma parceria e deu a ideia de um texto em primeira pessoa. E os futuros leitores agradecem antecipadamente.
imagem: Leila Lisboa | 
Os Mutantes, banda que fez história no rock brasileiro, pode ter parte de sua história publicada no livro fotográfico "A Hora e a Vez", com 130 registros. A fotógrafa Leila Lisboa Sznelwar, que acompanhou a banda durante sua fase considerada mais criativa -- de 1969 a 1974 -- iniciou uma campanha de arrecadação no site Kickante para publicar a obra.

Por um lado, é uma maneira de trazer à luz um acervo que estava engavetado e realizar um sonho pessoal. Por outro, é, talvez, a única forma de documentar a primeira coletânea de registros fotográficos de uma das bandas mais icônicas do rock [psicodélico] brasileiro.

"A época que convivi com eles foi muito leve, divertida, inspiradora e cheia de boas lembranças. Eles eram hilários juntos", conta Leila, em entrevista ao Livreiro Nômade. "Os Mutantes sempre conseguiram se colocar naquela época de maneira a continuarem a fazer boa música, com um pouco de deboche obviamente e assim conseguiram viver com alegria apesar de qualquer regime". O nome do livro é inspirado na música A Hora e a Vez do Cabelo Crescer, "referente a uma música muito marcante para mim", diz Leila.

A formação clássica da banda incluiu os músicos Arnaldo Baptista, Sérgio Dias, Liminha, Dinho Leme e Rita Lee.

Durante um período, os integrantes do grupo viveram em uma comunidade hippie na Serra da Cantareira -- onde alguns dos registros fotográficos foram feitos. Na época, Leila e o baixista Liminha mantiveram um relacionamento, de modo que a fotógrafa acompanhou a banda em várias viagens dentro e fora do Brasil. "Mantenho contato constante com eles", garante.

Mas por que publicar o livro apenas décadas depois do fim da formação original? Leila tenta há dez anos, na verdade, viabilizar o projeto. Mas não conseguiu nem por editais públicos de cultura nem junto à iniciativa privada.

"Não consegui nenhum apoio de projetos culturais do governo federal – nem chegar perto da Lei Rouanet –, estadual e municipal. As editoras não se interessaram, apoio cultural de empresas também nada, empresários menos ainda... zero. Eu banquei tudo que pude para poder ter as fotos limpas e digitalizadas, e não foi pouco", relata. "Se eu pagasse uma fortuna poderia lançar com qualquer editora", critica.

Quando conheceu o crowdfunding e viu que iniciativas sérias estavam sendo encaminhadas com recursos dos maiores interessados -- leitores, usuários e consumidores --, decidiu apostar.

A campanha teve início no último sábado (10). O livro "A Hora e a Vez" será publicado se a meta de R$ 100 mil for atingida até o dia 11 de março. É possível contribuir em três faixas de valores: R$ 90 (já esgotada), R$ 120 e R$ 999.
  • Esquecido pelo público, Lucchetti -- roteirista preferido de Zé do Caixão e autor de 1500 livros -- faz campanha de arrecadação no Catarse para tirar projeto do papel | 
  • Veja aqui como contribuir com esse projeto | 

Rubens Francisco Lucchetti tem 85 anos de idade e mais de 70 só de carreira. Seu ofício: escrever histórias de terror e suspense. Até hoje é um autor extremamente produtivo, com 1.547 livros publicados, 25 roteiros de cinema, 30 seriados de rádio, 300 roteiros de histórias em quadrinhos e outras tantas histórias engavetadas. Ele garante que não pensa em aposentar sua velha Olivetti.

Apesar de esquecido pelo público e pelo mercado cultural, ele não para. Em parceria com a L4 Filmes e a Mandala Produções, ambas da região de Ribeirão Preto, Lucchetti quer criar uma websérie no YouTube, chamada Histórias do Corvo, com contos inéditos. O primeiro episódio foi ao ar no dia 21 de dezembro. Mas os demais, já escritos, precisam de dinheiro para serem produzidos e filmados.

Lucchetti e o filho, Marco Aurélio, tiveram a ideia há dois anos, mas até então não encontraram oportunidade de realizá-la.



A solução encontrada pelos produtores foi abrir uma campanha de crowdfunding -- arrecadação coletiva -- no Catarse.me. Estipularam a quantia de R$ 15.139 com data-limite para o dia 14 de fevereiro. Entretanto, após quase um mês de campanha, apenas R$ 1.430 foram doados por 17 apoiadores. "Trabalhar com cultura no país não é nada fácil. Parece que a gente está sempre com pires na mão", brinca seriamente Lucchetti.

Se tiver sucesso, o projeto terá a primeira temporada filmada e publicada ainda em 2015, com cinco episódios. Segundo a produtora Milena Manganin, "terminando a campanha no Catarse em fevereiro, entramos em produção da temporada e já começaremos a captação para a segunda".

Veja aqui como apoiar o projeto Histórias do Corvo.

Assista abaixo ao episódio piloto.